| No rescaldo da prova rainha dos Sport-Protótipos, recordo uma marca que já esteve representada nessa categoria ao mais alto nível, a Lotus, e a última corrida do último Lotus Sport-Protótipo. Aconteceu em 24 de Março de 1974, em Angola, Moçâmedes. Apenas durou cerca de 500 metros. Imediatamente a seguir à partida, ficou com a frente desfeita, por impossibilidade de escapar à colisão com o Ford GT40 de Emílio Marta, que fez um tête mesmo à sua frente. Este Sport-Protótipo da Classe 2 litros, Lotus Europa type 62 chassis #02 (2º dos únicos 2 feitos) iniciou a sua carreira em 1969 e apenas nesse ano correu pelo Gold Leaf Team Lotus. No final de 1969, Colin Chapman eliminou o departamento de Sport-Protótipos e colocou os dois Type 62 à venda, tendo vendido o 2º ao português Team Palma para o piloto Ernesto Neves, que venceu numerosas corridas até 25 de Março de 1973, inclusivamente a desse dia, precisamente no local onde o carro terminou a sua carreira desportiva um ano depois. Em Angola, ostentou uma bela decoração preta e dourada, inspirada nos JPS Lotus, pertencendo a Waldemar Teixeira desde 1973 que o emprestou (eventualmente para venda) a José Luís Teixeira da Silva antes da corrida de Moçâmedes 1974, a última deste Lotus 62. Algum tempo depois, Ernesto Neves voltou a comprá-lo e restaurou-o, à excepção do teimoso motor. Actualmente, pertence ao coleccionador Yoshio Fukuda e funciona perfeitamente. | Last race of the last Lotus Sport Prototype Happened in 1974, March 24, in Moçâmedes, Namibe, Angola, Africa. It only lasted 500m (0.3 miles). After the start, it crashed against a spinning Ford GT40. This 2 litre Lotus Europa type 62 chassis #02 (2nd of 2 made only) started its career in 1969 and only raced by Gold Leaf Team Lotus that year, until Colin Chapman decided to end with the Sport-Prototype department and sell the two Lotus 62. The second one was sold in 1971 to the Portuguese Team Palma for its driver Ernesto Neves, winning several races 'til March 25th 1973, including that one at Moçâmedes, precisely at the place where the car would end its racing career 1 year after. In Angola, it had a nice black and gold livery inspired by JPS Lotus, belonging to Waldemar Teixeira since 1973 who lent it (eventually to sell it) to José Luís Teixeira da Silva before the 1974 Moçâmedes race. In 1975, the car was sold back to Ernesto Neves who rebuilt it, but not the stubborn engine. Nowadays, it belongs to Japanese Yoshio Fukuda and it runs beautifully. |
| |||
|
O herdeiro
Com o novo F-Type, a Jaguar tem motivos suficientes para celebrar a sucessão do icónico E-Type dos anos sessenta. Num tiro certeiro, a marca inglesa lança três versões deste elegante descapotável de dois lugares com motores V6 e V8 equipados com compressores. Na versão de entrada, dispomos de 355 cv, na intermédia, V6 S, de 375 cv e, no V8 S, temos 488 cv com uns 50 quilos suplementares de peso.
Há quem sustente que o desenho deste novo “brinquedo” podia ser mais radical. A verdade é que, as formas simples e sequenciais do carro não deixam de provocar efusivas reacções de apreço dos transeuntes, conforme tive oportunidade de verificar nos dois dias em que circulei com o V6S e o V8S nas estradas em torno da cidade de Pamplona.
Tanto com um como com o outro, foi possível apreciar os vários factores que fazem do novo F-Type um carro muito interessante do ponto de vista do condutor. Desde já, a disponibilidade do motor desde as 2.500 rpm. Mas tem de se realçar o casamento perfeito da unidade motriz com a excelente caixa de velocidades automática de 8 velocidades comandadas pelas duas patilhas sob o volante. O escalonamento, com pequenas quebras de 800 a 1.000 rpm entre cada mudança permite que o motor esteja sempre “cheio” e vigoroso, com a quase imperceptível presença do compressor. A aceleração é viva, Finalmente, o som dos escapes. Qualquer coisa de muito bem trabalhado, graças a determinadas válvulas que facultam, mais que um ronronar, um sublime berro de presença em aceleração. Embriagante.
Nas enroladas estradas de montanha por andei circulei, percebi a agilidade agradável do chassis, facultada pelos amortecedores adaptativos e pela direcção bastante exacta. Claro que usei o modo Dinamic que trata de “afinar” os comportamentos dos vários órgãos do carro para uma condução mais desportiva.
E, já que estamos neste capítulo mais desportivo, uma palavra para a experiência sempre exaltante, de ir a uma pista de competição, o autódromo de Navarra. Pista exigente do ponto de vista técnico, com acentuados desníveis em subida e descida, curvas largas e fechadas, cegas à saída, a requerem boa capacidade de memória do piloto e elevada apetência do carro para tão diversos esforços. Aí, tive oportunidade de apreciar a estabilidade e capacidade de tracção (traseira), a velocidade de ponta na recta grande, a boa travagem e, uma vez mais, ficar inebriado com o som do escape.
Achei o V6S mais homogéneo e mais ágil que o V8S, mas, seja uma ou outra a opção, a compra é vantajosa em relação à concorrência configurada no Aston Martin V8 Vantage ou nos Porsche Boxster e 911 Convertible. Os preços são mesmo acentuadamente inferiores.
Helder de Sousa
| |||
|








