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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

1973, Grupo 1 em Luanda

Manhã de 29 de Julho de 1973, prova de Grupo 1, Consagrados, integrado no programa das 3 Horas Internacionais de Luanda (que à última hora foram reduzidas para duas).
Na imagem abaixo da grelha de partida, tirada do cimo da torre, vemos Pê-Quê-Pê no Camaro Z28 Nº11, na pole. Mabeco no Commodore GSE Nº8 fez o 2º tempo, seguindo-se Cardão no Z28 Nº5, Larama no Capri 3000 GT Nº24, Hélder de Sousa e Lamas Oliveira nos Ascona SR Nºs 6 e 4 respectivamente. Na 4ª linha, está um Capri cujo número é mal legível, mas tudo leva a crer que se trata do Nº 23 de Waldemar Teixeira. A seu lado, está o BMW 3000si Nº2 do Club do Autódromo com António Peixinho ao volante. Sobre este carro, já falámos no post anterior, sobre Benguela. Vê-se outro Capri e fora da imagem estão mais 6 carros, num total de 15.


Muitos poderão questionar, porquê Peixinho num BMW. A razão é tão simples, como a conjugação de várias forças para o Club do Autódromo, que incluía Alfas da Emaco/Socoina, o Lola T292 Schnitzer apoiado pela BMW/Autocal, entre outros.
António Peixinho, que foi um dos principais infortunados nesta corrida: apesar de ter arrancado da 8ª posição, já ia em 4º na 3ª volta. Mas desistiu na volta seguinte, devido a um furo.
Outro lesado nesta prova, foi um dos candidatos à vitoria, Henrique Cardão: logo na 2ª volta, teve uma longa paragem na box com uma complicação numa roda traseira, perdendo 3 voltas.
A partir da 8ª volta as posições estavam definidas, com os concorrentes distanciados uns dos outros. Todos, não: Hélder mordia os calcanhares de Waldemar até ao baixar da bandeira de xadrez.
PQP (Z28) venceu esta corrida de 12 voltas com 35 minutos e 38 segundos certos, fez a volta mais rápida e bateu o record de Gr1 para o circuito Nº5 (o mais habitual).
Seguiram-se Mabeco (Commodore), Larama (Capri), Lamas Oliveira (Ascona), Waldemar Teixeira (Capri), Hélder de Sousa (Ascona), Raul Esperto (Capri Nº14), Campas (Datsun Nº11), Cardão (Z28).


sábado, 5 de setembro de 2015

Grupo 1 de luxo em Benguela

Benguela, manhã de 19 de Agosto de 1973, prova de Grupo1, Consagrados, integrada no programa dos 500km Internacionais de Benguela.
Talvez por ser a última da duríssima sequência dos 3 eventos da Temporada Internacional Angolana, em três fins-de-semana consecutivos, teve poucos mas bons participantes, todos fortemente apoiados pelas marcas, sendo a Motorang (GM) a mais representada. A grande maioria dos concorrentes habituais desta categoria, não terá conseguido reparar a tempo os seus carros e ainda viajar com eles por vários dias até às suas oficinas e destas para Benguela, por longas centenas de quilómetros em estradas pouco propícias a viagens velozes.
Na imagem acima, vemos Larama em Capri 3000 GT a tomar a dianteira, que conservou até meio da corrida, até ser ultrapassado por Henrique Cardão (2º na grelha em Z28) e por Mabeco (pole em Commodore GSE) que fizeram toda a prova colados.
De seguida, vemos PQP em Z28. Perdeu uma roda à 9ª volta e abandonou. Ao seu lado, o BMW 3.0si (E3, precursor dos série 7) do Club do Autódromo de Luanda, com o qual Peixinho correu nesse autódromo por uma vez. Uma fugaz presença deste belíssimo carro familiar, algo completamente invulgar nesse tempo, quando qualquer carro de corridas não tinha mais do que duas portas. Era um automóvel potente, mas enorme para a competição, uma verdadeira "banheira" nas curvas. Nos relatos disponíveis, tem como piloto "Oliveira". Seria AJOta? Foi desclassificado por passagem irregular à entrada da boxe.
Não aparece na imagem "Patilhas", que com um Ascona 1904 SR da Motorang, ficou em 4º lugar.
Esta rara imagem a cores vale, sobretudo, pela presença de 5 novos, potentes e belos automóveis numa corrida de Grupo 1, sendo que os Camaro, os Capri e os Commodore alteraram completamente o panorama das corridas dessa classe em Angola, eclipsando definitivamente os 2002, os Giulia e os demais que compunham a maioria das grelhas.
Vale também pela memória da consagração de Cardão que tantas corridas venceu nesse ano e no seguinte e pela presença de três nomes pouco conhecidos então, mas que rapidamente se tornaram notáveis: "PQP" Pedro Queirós Pereira, "Larama" Manuel Amaral e "Mabeco" Carlos Oliveira.

sábado, 13 de junho de 2015

Imagens de Malange 1970


Numa altura em que está tudo voltado para Le Mans, onde a representação portuguesa nunca foi tão boa como agora, e onde se aguarda com enorme expectativa um regresso da Porsche em grande, tropecei, por acaso, em algo muitíssimo distante, que já tinha esquecido de alguma vez poder encontrar: Imagens das corridas de Malange de 1 e 2 de Agosto de 1970.
Esta seria uma corrida renhida com a prata da casa, constituída por bons pilotos locais e simpáticas máquinas de Turismos ainda de anos anteriores, não fosse ter nem mais nem menos do que a apresentação prévia das duas principais equipas para as 6 Horas de Nova Lisboa, a Autocal/BMW com as últimas evoluções da Schnitzer, e a SOCOINA/EMACO/Alfa Romeo (que ainda estava integrada na Ecurie Palanca Negra) com a grande novidade, a estreia absoluta numa equipa de África, do deslumbrante Sport-Protótipo Alfa T33 2500cc, com Batistini à frente da equipa de mecânicos.
Aos treinos cronometrados compareceram poucas equipas. O T33 teve uma avaria na ignição e Peixinho não treinou. Nicha Cabral, com um 2002 Schnitzer ao nível do melhor que existia na Alemanha, pulverizou o recorde do circuito, batendo por 4 segundos o GT40 de Ferreira Pires que fez o 2º tempo. De realçar que era a primeira vez que Pires voltava a competir depois do traumatizante despiste na Huíla no ano anterior, do qual resultou a morte de duas crianças. Xico Barbosa em 2002 Schnitzer fez o 3º tempo a 6 segundos de Nicha. Depois, outra surpresa nos treinos, Bandeira Vieira em Cooper S, fez apenas mais 2 centésimos, ficando à frente do carro vencedor de Cabinda e de Benguela, a Alfa GTA 2000 larga, vermelha, habitual de Peixinho, que com Altino Fraga fez mais um segundo, a 7 do 1º tempo.
Os restantes, ordenaram-se imediatamente a seguir e com tempos muito próximos, dentro daquilo que era habitual. Mas as surpresas deste "pré-preâmbulo" para as 6 Horas, não terminariam por aqui: Bandeira Vieira, no final dos treinos cronometrados foi surpreendido por um cão que se atravessou na pista, fez um tête batendo num candeeiro e teve de usar um Cooper S emprestado para a corrida. Nicha, partiu o motor do seu BM especial nos treinos livres de Domingo e teve de competir com o carro destinado a Xico Barbosa que ficou apeado.
Os Lotus de Benguela não chegaram a tempo, tempo esse que foi mais do que necessário para Marta convencer Ferreira Pires a vender-lhe o GT40, que assim não participou na corrida.
No Sábado houve uma excelente prova de Iniciados, dominada no início por Santos Peras na GTA 2000 branca e verde, até a ignição não colaborar, obrigando-o a desistir. A corrida foi vencida pelo seu mais directo perseguidor, José Bandeira, num diabólico Cooper S. Logo a seguir, Manuel Garcia em 2002 Schnitzer e em 3º, Manuel Amaral em Fulvia HF 1300.
A corrida de Consagrados no Domingo, foi a que se desenrolou dos Alfas para trás, à excepção de Henrique Cardão que em GTA 1600 também lutou com problemas de ignição. Porque à frente, preparava-se um campeonato de outra dimensão, com um outsider doutra constelação, o T33, que com António Peixinho em ritmo de adaptação e rodagem, completou as 75 voltas da corrida, "dando" 3 a Nicha, que num carro que não era o melhor da sua equipa, ainda teve um furo, fazendo a última volta sobre a jante!
O 3º classificado, António Resende na GTA 2000 branca e verde que Peras usou na prova de Iniciados, ficou a 6 voltas do 1º.
Seguiram-se imediatamente Altino Fraga em GTA e Bandeira Vieira em Cooper S. A mais duas voltas, Sousa Santos em Cooper S, a mais outras duas AJOta em Escort GT, depois Amadeu Inácio em TTS, Fernando Coelho em Cortina GT, Gil Morgado em TTS, Cardão em GTA e Emídio Poiares em Cooper S.
Mas vamos às fotos de Nunes Cordeiro, aqui partilhadas directamente deste arquivo digital.
 

Na 1ª, a partida da corrida de Iniciados,
no Sábado 1 de Agosto de 1970:


Ainda dos Iniciados, um surpreendente Honda 600:

A partida da corrida dos Consagrados no Domingo, 2 de Agosto:

E o passeio de Peixinho no T33. 
Alfas T33 como este, correram em Le Mans em 1968 e em 1969. 
Afinal, este assunto nem está assim tão distante da febre destes dias!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

6 horas de Nova Lisboa 1969



Uma prova que chegou a estar inscrita no calendário anual como tendo 12 horas. Esta 2ª edição das "6 Horas", não era ainda internacional (só seria a partir de 1971) mas já contava com a participação de bons pilotos de "Portugal continental".

No 1º minuto do clip abaixo, temos uma amostra destas 6 horas. Vemos os vencedores José Lampreia - Albio Pinto no 2002 Schnitzer AAB-08-11, que 3 anos mais tarde iria para as mãos de A J Oliveira, aqui no Ford Escort.
A dar luta, vemos o Lotus 47 Europa de Marta, pilotado por Herculano Areias, que irá desistir.
O 911 é da equipa Fernando Pinhão - Altino Fraga, que ficará em 2º, a 13 voltas do 1º.
O Opel GT (4º classificado) é da equipa Silveira Machado - António Lacerda.
Vêem-se muito mal mais uma série de carros mais ou menos comuns nas corridas da época, mas queria destacar mais alguns nomes célebres de participantes desta corrida, como: Francisco Barbosa, Henrique Cardão, Pinto Leite, Cardoso Albernaz, Gil Morgado, Amadeu Inácio, Eurico Lopes de Almeida, Fernando Coelho, de entre outros de uma lista que desconheço na totalidade.


Aos olhos de hoje, vivia-se uma natural mas estranha época de corridas de alto risco e esta não foi excepção.
Freddy Vaz, do Lobito, que se inscreveu com um Cortina sem treinar, participou com a aprovação de todos os restantes concorrentes, mas terminou a sua corrida despistando-se fatalmente contra uma árvore...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Da Écurie Palanca Negra



A Écurie Palanca Negra foi fundada na sua maioria, pelos membros visíveis à esquerda, (incluindo alguns estudantes) numa imagem de Hélder de Sousa, que se encontra junto de Henrique Cardão, Carlos Blanco e Guedes (?).

Esta imagem que Hélder havia postado aqui, retrata a Écurie Palanca Negra antes da partida para o Ralye Universitário de 1967.

Dois anos depois, em 1969, esta equipa já não era bem assim:




quinta-feira, 9 de setembro de 2010

6 Horas de Nova Lisboa 1972


Foi a última vez que houve participação de pilotos estrangeiros de nível mundial em Angola.
O filme mostra o resto:



Peço desculpa pela qualidade do som, mas canção sobre carros daquele tempo, só podia ser esta. Não houve volta a dar quanto a registos melhores por direitos editoriais pelo que à 5ª tentativa tive de recorrer a um registo e ao equipamento daquele tempo...
Obrigado a Manuel Joaquim Sá pelos filmes, que podem ser visto em separado nos links: A, B, C.

Hélder, por ser neste dia, esta é obviamente uma prenda para ti. Um grande abraço e ... Parabéns!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

de Malange 1970



Ao lado, na estranha grelha de partida segundo os tempos, nota-se a estreia do Alfa T33 que terá uma vitória fácil e o último treino de Ferreira Pires no Ford GT40. Nota-se ainda a ausência de vários pilotos de Benguela, que não correram por atraso nas inscrições. São os casos de Emílio Marta e de Herculano Areias com os seus Lotus Europa 47.
Ferreira Pires não correu. Emílio Marta convenceu-o a vender o bólide, e leva-o para as 6h de Nova Lisboa, uma semana depois.
Nesta prova, Nicha Cabral fez o que pôde com o BMW 2002 Schnitzer e terminou em 2º. Seguiram-se as GTA's 2.o com António Resende e Altino Fraga.
Abaixo, o filme de 8 mm de Manuel Joaquim Sá:



sábado, 1 de maio de 2010

Das 6 Horas de 1969


Os dois posts anteriores, referem-se às 6 horas de 1970.
Este, é relativo ao ano anterior, 1969.
Esta prova, que ficou marcada pelo falecimento de Fredy Vaz ao volante de um Cortina, foi vencida por José Lampreia e Álbio Pinto em BMW 2002 Schnitzer, seguidos por Fernando Pinhão e Altino Fraga em Porsche 911 e por Francisco Barbosa e Fernando Fonseca em BMW 2002 TI.
Abaixo, no precioso filme de 8 mm de Manuel Joaquim Sá, aparecem entre muitos, o Lotus 47 de Herculano Areias que desistiu, ou um Opel GT pilotado por Silveira Machado e por António Lacerda que se classificaram em 4º, ou ainda o Vauxhall Viva GT de Henrique Cardão com Rui Frota, classificados em 6º.



domingo, 25 de abril de 2010

das 6 horas de 1970


De Manuel Joaquim Sá, chegou-me um pequeno filme que completo com algumas imagens e informação:




A prova mais importante do calendário do automobilismo angolano a partir de 1969, foram as 6 horas de Nova Lisboa / Huambo organizadas pelo Sporting Clube do Huambo. Nesta corrida de 1970, houve a intervenção indirecta das marcas BMW e Alfa Romeo respectivamente com Schnitzer e Batistini. A Alfa Romeo dominou completamente a prova com 5 carros nos 5 1os lugares e a BMW, apesar de ter lutado pelos lugares do pódio, acabou apenas com um suado 8º lugar por Nicha Cabral e Carlos Santos, evitando terminar sem qualquer classificação.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Huambo 1974 e 1973






Neste fim de semana, 35 anos depois das últimas "6 horas", o Huambo volta a ter corridas.

Eis uma amostra da edição de 1973:





segunda-feira, 13 de abril de 2009

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Estórias sobre Henrique Cardão

Rali BCA 1967

Originalmente escrito por Hélder:

-"Salvou-se a grade de cervejas, o Cardão perdeu os óculos que sairam pelo párabrisas, não nos magoámos a não ser nos nossos egos...
O Cardão tinha a mania de cantar a bordo dos carros e, naquele tempo, a canção favorita dele era "n'avoue jamais, jamais, jamais, que je t'aime..." não posso precisar em quem é que ele pensava até porque, em termos de feminino, ele sempre soube cantar pelo tom mais acertado.
O acidente foi, creio, na sinuosa estrada depois de termos saído de Novo Redondo. "


A equipa O-pel-&-Osso Nas 6h de 1973:

Cardão sentado no lado de fora. Hélder sentado no lado de dentro.

Originalmente escrito por Hélder:

- "Essa foto do Cardão sentado no capot do Manta foi a maneira mais expressiva que ele encontrou para assinalar um brilhante 5º lugar na Geral e 1º dos não grupo 6. Foi uma corrida épica para nós, o Cardão teve um problema no turno dele e veio à box mais cedo, mas, no fim,"tudo está bem quando acaba bem".

O Henrique Guerra Cardão foi uma das figuras mais notáveis do nosso automobilismo desportivo e um dos melhores reporteres de rádio que tivémos nos tempos do programa Luanda 63 até 74, n Rádio Eclésia.

Tenho tantas histórias de e com o Cardão que o espaço aqui não chegaria... simplesmente porque ele e eu sempre estivémosligados desde os tempos do Liceu Salvador Correia onde andámos juntos desde o 1º ano e com números seguidos - se eu era o 15 ele era o 16. Começou a trabalhar muito cedo, na Casa Americana, teria aí uns 15/16 anos, depois do falecimento do pai dele.

Desde muito cedo ele começou a participar em provas, muitas delas comigo como co-piloto.

Como piloto, Cardão tinha uma coisa muito boa...era consistente e não estragava os carros, por isso o escolhi como meu companheiro naquelas gloriosas 6 horas de Nova Lisboa de 73.

Mais tarde, na Europa, voltámos a andar juntos nos Grandes Prémios, ele para rádios brasileiras, eu para a RTP e Autosport.

Cardão deve ser actualmente um dos mais jubilados jornalistas da F1 que continua a frequentar, a partir do seu quartel-general em Bruxelas.

Cardão é meu irmão. "


Benguela 1973. Recorte da revista Notícia :


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