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sábado, 5 de setembro de 2015

Grupo 1 de luxo em Benguela

Benguela, manhã de 19 de Agosto de 1973, prova de Grupo1, Consagrados, integrada no programa dos 500km Internacionais de Benguela.
Talvez por ser a última da duríssima sequência dos 3 eventos da Temporada Internacional Angolana, em três fins-de-semana consecutivos, teve poucos mas bons participantes, todos fortemente apoiados pelas marcas, sendo a Motorang (GM) a mais representada. A grande maioria dos concorrentes habituais desta categoria, não terá conseguido reparar a tempo os seus carros e ainda viajar com eles por vários dias até às suas oficinas e destas para Benguela, por longas centenas de quilómetros em estradas pouco propícias a viagens velozes.
Na imagem acima, vemos Larama em Capri 3000 GT a tomar a dianteira, que conservou até meio da corrida, até ser ultrapassado por Henrique Cardão (2º na grelha em Z28) e por Mabeco (pole em Commodore GSE) que fizeram toda a prova colados.
De seguida, vemos PQP em Z28. Perdeu uma roda à 9ª volta e abandonou. Ao seu lado, o BMW 3.0si (E3, precursor dos série 7) do Club do Autódromo de Luanda, com o qual Peixinho correu nesse autódromo por uma vez. Uma fugaz presença deste belíssimo carro familiar, algo completamente invulgar nesse tempo, quando qualquer carro de corridas não tinha mais do que duas portas. Era um automóvel potente, mas enorme para a competição, uma verdadeira "banheira" nas curvas. Nos relatos disponíveis, tem como piloto "Oliveira". Seria AJOta? Foi desclassificado por passagem irregular à entrada da boxe.
Não aparece na imagem "Patilhas", que com um Ascona 1904 SR da Motorang, ficou em 4º lugar.
Esta rara imagem a cores vale, sobretudo, pela presença de 5 novos, potentes e belos automóveis numa corrida de Grupo 1, sendo que os Camaro, os Capri e os Commodore alteraram completamente o panorama das corridas dessa classe em Angola, eclipsando definitivamente os 2002, os Giulia e os demais que compunham a maioria das grelhas.
Vale também pela memória da consagração de Cardão que tantas corridas venceu nesse ano e no seguinte e pela presença de três nomes pouco conhecidos então, mas que rapidamente se tornaram notáveis: "PQP" Pedro Queirós Pereira, "Larama" Manuel Amaral e "Mabeco" Carlos Oliveira.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

COINCIDÊNCIAS E … SAUDADES!


Sumbe, já teve corridas empolgantes como em 1973, com estupendas máquinas de competição. Da reportagem da revista Equipa da época, está disponivel um resumo da prova principal neste artigo do SportsCar.

As corridas de Grupo 1 não eram menos interessantes, pois tinham protagonistas talentosos com máquinas de grande qualidade.

Dada a proximidade da prova anual do Sumbe, João Coimbra lembrou e escreveu o que se segue:

-"Aproveitando o feriado Angolano de 17/09, resolvi arrumar o meu “baú das velharias”. Por coincidência também, tinha comprado e lido na noite anterior o ultimo número (3) da nova revista de Auto, Moto e Náutica - “EKUIPA”. Por coincidência descobri no “baú”, três revistas “EQUIPA” do passado, das quais a número 31 de 01 de Outubro de 1973, me chamou a atenção pelo artigo da página 73 (outra coincidência). Por coincidência esse artigo escrito pelo Hélder de Sousa dizia respeito ao Circuito de Novo Redondo (actual Sumbe) de 1973. Por coincidência no próximo fim-de-semana realiza-se uma prova no Sumbe a contar para o Troféu Mundial Seguros (Turismos), TGS, Motorizadas e Motos. Por coincidência o Hélder de Sousa, num ano em que “aumentou a cilindrada do seu motor para 7.0 cc”, regressa ao Sumbe 36 anos depois, para comentar estas corridas a convite da “TV ZIMBO”. Parecendo-me bastante actual o que o nosso amigo Hélder de Sousa escreveu no passado, atrevo-me agora a transcrever (parte) do referido texto para todos vocês:



"AO VOLANTE"

"Novo Redondo ganhou fama de ser um circuito “de muita condução”, onde as “mãos” do piloto prevalecem sobre a potência dos automóveis. Não é mais que meia verdade. E a corroborar esta opiniao recordo o exemplo de “Larama”, reconhecidamente considerado um piloto que tem “boas mãos” e que nada pode fazer para contrariar os “cavalos” do Camaro de “Pequepê”, cujas mãos, também não são para desdenhar.
Donde se poderá concluir, quiçá um tanto ligeiramente, que “contra cavalos, não há mãos que cheguem”.
De facto, todos esperávamos a “montanha russa” de Novo Redondo para ficarmos assentes quanto à superioridade do Camaro. Pessoalmente, ainda me restava a dúvida. O circuito é curto, razoavelmente sinuoso, exigente no que diz respeito a travões e, talvez se desse o “milagre”. Mas, logo que vi “Pequepe” sair da 2ª fila e curvar já a frente, percorridos uns 400 metros, fiquei identificado e esclarecido – o Camaro não tem oposição ao seu nível e “Pequepê”, que não “tira” mais do que precisa do “monstro”, corre com “cabeça” usando uma táctica eficaz. À partida, desembaraça-se dos adversários mais directos, imprime andamento vivo para se colocar fora do seu alcance (a sua volta mais rápida foi a 8ª), e controla os outros a distancia, mantendo-se longe de qualquer ataque directo, ganhando folgado.

Um dos pontos mais interessantes para observar carros e seus pilotos em acção, é o 'S' depois da bomba de gasolina. Aí, além do trabalho das suspensões, é sobretudo o estilo dos pilotos que chama a atenção dos espectadores.
Uns aproximam-se lentamente, reduzem a velocidade, deixam o carro patinar e, à saída, quase estão parados.
Outros pelo contrário, chegam bastante depressa, colocam o carro com energia, aceleram para dar aderência e saem sem perda de tempo. … "

Hélder de Sousa – Revista Equipa n. 31 de 01/10/1973


Seguem-se no texto outros comentários, mas penso que o essencial está transcrito.
Penso por isso, que será com alguma SAUDADE, que passados todos estes anos, o Hélder de Sousa regressará ao Sumbe no próximo dia 26/09 para assistir e comentar o “GP do Kuanza – Sul”.
Aguardemos pelos seus comentários às referidas provas. "

Joao Coimbra


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