sábado, 31 de outubro de 2009

um BMW 507 nas corridas




Luanda, finais de Fevereiro de 1960, II circuito da Fortaleza, constituído por duas corridas.
Presente, uma peça hoje cobiçada por todos os coleccionadores de automóveis, um dos BMW mais belos, raros e caros de sempre, modelo 507 roadster.
Com o Nº4, pilotado pelo Dr. Francisco Macedo, ficou em 2º lugar à geral na 2ª corrida, atrás de Amadeu Rodrigues em Austin Healey. No cômputo das duas provas, obteve a mesma classificação à classe.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Desportos Motorizados em Angola


Há um grupo de uns 30 jovens em Angola que se dedica à prática do motociclismo de velocidade. Tiveram o bom senso de aceitar que só correm numa categoria - a de 600 cc . Todos eles ostentam equipamento adequado, fato, botas, luvas, capacetes e, com essa postura, dignificam a modalidade. Mas também pelo comportamento cívico e desportivo nas provas. Os motociclistas desportivos angolanos são os que mais se expõem ao perigo, ao acidente. As pistas, desde o autódromo de Luanda às das cidades, não têm nem 10 por cento da segurança necessária para pilotos ou para público. E, até há casos de cães se atravessarem à frente deles. O simples facto de conduzir uma moto é, por si próprio, um acto arriscado, perigoso. Em competição, o perigo sobe a 200 por cento. Mas eles comparecem, correm, dão o seu espectáculo. Nem sempre são fáceis para as organizações quando estas não lhes proporcionam os mínimos a que se julgam com direito. São muito unidos. Deles, dois nomes sobressairam: Sandro Carvalho, que está a correr numa Suzuki 1.000 cc em Portugal, e Helder Coelho (Vuty), o herói nacional. Merecem respeito.

domingo, 4 de outubro de 2009

Corridas no Sumbe-boxes

Este é o ADR 3 Minister, motor Honda Type R de Jorge Pires.
O parque destinado a paddock da corrida, acabado de ser feito, estava cheio de poeira e terra. Os pilotos recusaram e escolheram o jardim junto à entrada da recta da meta. Aqui, o Radical SR3 de Paulo Sá Silva, o já campeão angolano da categoria TGS (que reúne turismos e sport diversos). Veja-se, atrás do Radical, um fórmula Ford Mygalle.

Do outro lado da rua, o Porsche 996 - 3.600cc turbo de Maló de Almeida, o BRC de Ilidio Cardoso, e o Radical SR8 de Daniel Vidal.


Corridas em Angola - Sumbe

Na foto superior, Cardoso Albernaz, outra das figuras históricas do automobilismo angolano de todos os tempos, dá a largada para uma das corridas dos Turismos do troféu Mundial Seguros.
Nesta foto, a grelha de partida já formada para a corrida dos Turismos, com 3 responsáveis a terminarem a inspecção : o sempre disponível João Coimbra (esqª), o director da prova (centro) e Cardoso Albernaz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Três glórias

Fui encontrar no fim-de-semana passado, no Sumbe (antigo Novo Redondo) três das maiores figuras do desporto motorizado angolano antes e pós independência. Vejam só (da E para a D): Herculano Areias, Santos Peras e Dárdano Alves.
Como eles estão "iguais" passados mais de 30 anos !!!!
Não resisti a juntá-los para a fotografia.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

COINCIDÊNCIAS E … SAUDADES!


Sumbe, já teve corridas empolgantes como em 1973, com estupendas máquinas de competição. Da reportagem da revista Equipa da época, está disponivel um resumo da prova principal neste artigo do SportsCar.

As corridas de Grupo 1 não eram menos interessantes, pois tinham protagonistas talentosos com máquinas de grande qualidade.

Dada a proximidade da prova anual do Sumbe, João Coimbra lembrou e escreveu o que se segue:

-"Aproveitando o feriado Angolano de 17/09, resolvi arrumar o meu “baú das velharias”. Por coincidência também, tinha comprado e lido na noite anterior o ultimo número (3) da nova revista de Auto, Moto e Náutica - “EKUIPA”. Por coincidência descobri no “baú”, três revistas “EQUIPA” do passado, das quais a número 31 de 01 de Outubro de 1973, me chamou a atenção pelo artigo da página 73 (outra coincidência). Por coincidência esse artigo escrito pelo Hélder de Sousa dizia respeito ao Circuito de Novo Redondo (actual Sumbe) de 1973. Por coincidência no próximo fim-de-semana realiza-se uma prova no Sumbe a contar para o Troféu Mundial Seguros (Turismos), TGS, Motorizadas e Motos. Por coincidência o Hélder de Sousa, num ano em que “aumentou a cilindrada do seu motor para 7.0 cc”, regressa ao Sumbe 36 anos depois, para comentar estas corridas a convite da “TV ZIMBO”. Parecendo-me bastante actual o que o nosso amigo Hélder de Sousa escreveu no passado, atrevo-me agora a transcrever (parte) do referido texto para todos vocês:



"AO VOLANTE"

"Novo Redondo ganhou fama de ser um circuito “de muita condução”, onde as “mãos” do piloto prevalecem sobre a potência dos automóveis. Não é mais que meia verdade. E a corroborar esta opiniao recordo o exemplo de “Larama”, reconhecidamente considerado um piloto que tem “boas mãos” e que nada pode fazer para contrariar os “cavalos” do Camaro de “Pequepê”, cujas mãos, também não são para desdenhar.
Donde se poderá concluir, quiçá um tanto ligeiramente, que “contra cavalos, não há mãos que cheguem”.
De facto, todos esperávamos a “montanha russa” de Novo Redondo para ficarmos assentes quanto à superioridade do Camaro. Pessoalmente, ainda me restava a dúvida. O circuito é curto, razoavelmente sinuoso, exigente no que diz respeito a travões e, talvez se desse o “milagre”. Mas, logo que vi “Pequepe” sair da 2ª fila e curvar já a frente, percorridos uns 400 metros, fiquei identificado e esclarecido – o Camaro não tem oposição ao seu nível e “Pequepê”, que não “tira” mais do que precisa do “monstro”, corre com “cabeça” usando uma táctica eficaz. À partida, desembaraça-se dos adversários mais directos, imprime andamento vivo para se colocar fora do seu alcance (a sua volta mais rápida foi a 8ª), e controla os outros a distancia, mantendo-se longe de qualquer ataque directo, ganhando folgado.

Um dos pontos mais interessantes para observar carros e seus pilotos em acção, é o 'S' depois da bomba de gasolina. Aí, além do trabalho das suspensões, é sobretudo o estilo dos pilotos que chama a atenção dos espectadores.
Uns aproximam-se lentamente, reduzem a velocidade, deixam o carro patinar e, à saída, quase estão parados.
Outros pelo contrário, chegam bastante depressa, colocam o carro com energia, aceleram para dar aderência e saem sem perda de tempo. … "

Hélder de Sousa – Revista Equipa n. 31 de 01/10/1973


Seguem-se no texto outros comentários, mas penso que o essencial está transcrito.
Penso por isso, que será com alguma SAUDADE, que passados todos estes anos, o Hélder de Sousa regressará ao Sumbe no próximo dia 26/09 para assistir e comentar o “GP do Kuanza – Sul”.
Aguardemos pelos seus comentários às referidas provas. "

Joao Coimbra


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Luis Sa Silva








Tem apenas 19 anos, é líder do Campeonato Asiático de Fórmula Renault 2000, com 4 vitórias e duas poles.

Em Angola, é um ilustre desconhecido...





quinta-feira, 10 de setembro de 2009

70



Um número, coisa nada mais irrelevante ou insignificante do que isso.

Mesmo assim, um número redondo na escala decimal.

Números são números, quantificam quantidades, coisas...



Que idade tens? Que importa, quando se gosta de brincar e de rir entre amigos com brinquedos vertiginosamente rolantes?

Que idade tens?

10, claro!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uma imagem, uma estória







clicar sobre a imagem para ampliar




A imagem acima, encontra-se originalmente desde Junho de 2006 em AutoSport-Nostalgia neste post de Graham Gauld e anteriores.



Na foto, vemos Jo Schlesser em AC Cobra, a ser filmado ou fotografado supostamente pela sua mulher.
Mais atrás, vemos com o Nº 16 o carro que Peixinho pilotou até à desistência, uma máquina única de base Porsche. Álvaro Lopes com o Nº1, fará talvez a sua última corrida em Ferrari 250 LM .

Outros nomes sonantes, são Rolf Stommelen, Lucien Bianchi, Denny Hulme, todos eles futuros campeões famosos nas suas carreiras. David Piper que será mais conhecido pelas suas prestações futuras nos Porsche 917, vai ser o vencedor desta corrida.



Esta foto, faz parte da biografia que Gauld ainda não publicou sobre Keith Schellenberg, noutro AC Cobra mais atrás e à direita na imagem.

Graham Gauld é jornalista, historiador e biógrafo no mundo do automobilismo.

A sua obra em HistoricMotorracing e Amazon.

sábado, 29 de agosto de 2009

Autódromo de Luanda -junho 2009



Formação da grelha de partida .
Note-se o numeroso público na bancada

O Paulo


Paulo Sá Silva, um jovem piloto a "perder" tempo em Angola


Autódromo em festa


Boxes e Torre do autódromo de Luanda - 2009


Pescoço de Cavalo


Corridas no autódromo de Luanda - 29 de Junho 2009 - CURVA DO PESCOÇO DE CAVALO


sábado, 8 de agosto de 2009

do GPA 1960





Ao lado, o artigo de Jack Fairman para o AutoSport (UK).

O relato deste piloto transmite um grande agrado por tudo o que envolveu o Grande Prémio de Angola: o prazer da participação, o local, o circuito, o ambiente, as pessoas. Mas destaco o final da crónica, onde refere a satisfação de observar crianças brincando sem preconceitos raciais.








segunda-feira, 20 de julho de 2009

História do Circuito da Fortaleza





Acima, a versão mais longa (creio) do Circuito da Fortaleza e a que foi mais utilizada.

Outras houve, mais curtas. Também se realizaram várias provas neste circuito inseridas em Ralis. Algumas dessas provas, fizeram-se em sentido inverso ao da imagem. Em 1968 também houve corridas de velocidade em sentido contrário.



Este circuito, está umbilicalmente ligado à história da cidade de Luanda, pois nasceu quase ao mesmo tempo que a metade dos arruamentos que percorria.



Tem o nome obviamente ligado ao fortificação de defesa do ocidente da cidade, situado num monte circundado a ¾ por mar.

Até finais do sec XIX, nada havia em torno desse monte, para além de alguns caminhos e de uma ponte em madeira que ligava à ilha.

Até que foi iniciado o Caminho de Ferro de Ambaca, que ligava Luanda a essa povoação, anos antes de chegar a Malange. Esta linha, tinha vários ramais em Luanda e um deles circundava toda a cidade. Estes ramais destinavam-se ao serviço de passageiros e de mercadorias, com estações como a da Cidade Alta. Esta linha, servia também o porto de Luanda, na altura situado numa doca flutuante em frente às Portas de Mar / Largo Infante D. Henrique / Largo do Baleizão.


Ali perto, nesse largo e na Ilha, situavam-se inúmeros armazéns, indústrias e serviços ligados à navegação.



O principal eixo da cidade, era a Av Restauradores - Rua Salvador Correia (actual Rua Rainha Ginga) e ligava as portas de Mar à Sé, continuando para Leste passando o Largo D Fernando. Estes arruamentos, também vieram a fazer parte do Circuito.
Para o caminho de ferro circundar o sopé do monte da fortaleza, foi feito um primeiro aterro.





Esta estrutura, serviu até ao final da 2ª Guerra Mundial, após o que o automóvel passou a ser o transporte particular por excelência e os camiões o principal transporte de distribuição urbana e suburbana de mercadorias. O porto de Luanda mudou-se provisoriamente para a frente do espaço onde iria ser edificado o Banco de Angola, enquanto foi sendo construido o porto que hoje existe, na ponta Leste da baía.
O caminho de ferro a oeste da cidade foi retirado e o aterro em torno da fortaleza, foi então aumentado para a construção das estradas marginais da Praia do Bispo e da Baía.

A ponte de estrutura em madeira para a Ilha, foi substituída por outro aterro.



Por alturas do 1º Grande Prémio de Angola, em 1957, Luanda vista da fortaleza para o largo do Baleizão, perspectiva acima repetida 4 vezes, era assim:


Após a 2ª Grande Guerra, Angola desenvolveu-se como nunca. Luanda foi alvo de um plano de reestruturação geral. As novas vias e os novos sistemas de colectores de esgotos e de águas pluviais, foram concebidos para vencer sem problemas as enchentes típicas das tempestades tropicais. Numa boa chuvada, em menos de 5 minutos as ruas ficavam transformadas em rios com altura acima dos tornozelos. Para que a água não subisse aos passeios, estes tinham mais de 30 centímetros de altura. Passada uma chuva torrencial, o sistema de escoamento de águas, secava as ruas mais depressa do que tinham sido cheias.



O desenvolvimento da cidade, tornou impossível o sacrifício das suas vias pelas corridas, mesmo poucos anos depois de ser feita a Marginal. E o Circuito da Fortaleza, correu-se pela última vez, desastrosamente e sem treinos, em Dezembro de 1969.



Na imagem abaixo, os mais de 30cm de passeio, fazem de rail contra o avanço do Carrera 6 de Andrade Villar, evitando uma tragédia ainda maior:



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