sábado, 12 de dezembro de 2009

tertúlia com Peixinho


Na SportClass pela SportsCar:

O "baleizão"


Na história do automobilismo angolano e das corridas de Luanda, há uma curva muito citada que é a curva do Hotel Continental.
Muitas das fotos das corridas de Luanda são dessa curva, e nesse hotel residiu (não, não me enganei) Nicha Cabral, o que torna ainda mais mítico esse lugar, junto ao então Largo Infante D. Henrique.
Mas esse mesmo local era sobretudo chamado por Baleizão, o que origina alguma confusão, pois nos circuitos pequenos, metade do largo assim popularmente denominado era contornado...

Mas porquê esse nome? A razão era tão simples, como a existência de um ponto de encontro muito apreciado, uma cervejaria e sorveteria, com uma eficaz distribuição de gelados por toda a cidade. Toda a gente sabia que "baleizão" era sinónimo dos gelados daquele sítio e ponto final!
O edifício onde funcionou o "Baleizão" estava até há meses totalmente em ruínas, sem cobertura e em risco de colapso total.
Mas adivinhem: qual é o nome actual daquela praça?

Há notícias da reabilitação daquele antigo edifício e dos adjacentes na imagem abaixo, para a instalação de um museu.
Reparem que na imagem abaixo, recorte dum postal do início da década de 1950, o "Baleizão" está lá, mas o Hotel Continental ainda não...



Segue-se outra imagem tirada do lado oriental do Largo Infante D. Henrique, recortada dum postal de inícios de '6os, já com o Hotel Continental e a respectiva esquina:



Neste zoom duma imagem de inícios de 60's vê-se o Hotel Continental ao fundo da Av dos Restauradores. É o edifício mais alto e notam-se perfeitamente os arruamentos:



Abaixo, o traçado duma versão do pequeno circuito que contornava o "largo do baleizão", versão usada no Palanca Negra de 1968:



No mapa anterior, consta também uma versão longa, mas não tão longa como outra já mostrada em posts anteriores. Esta versão, traçada no mapa a 'traço-ponto' em continuação com o traço 'a cheio' do Pequeno Circuito, não vai para além do Largo Pedro Alexandrino em frente às Portas de Mar:



Abaixo, o vitorioso Carlos Santos desfaz a curva do Hotel Continental, na última corrida que fez com o seu Lotus 47:


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do Circuito da Fortaleza



Ainda a propósito deste post da História do Circuito da Fortaleza, mostro umas imagens de Luanda em 1955, deste filme que o Hélder me deu a conhecer.

O filme faz parte das Missões Antropológicas de Angola do Instituto de Investigação Científica Tropical e está disponível pela TvCiência.

É visível o intenso desenvolvimento e expansão da cidade, ainda que uma amostra do que seria poucos anos depois. 15 anos mais tarde, à excepção do pequeno centro histórico, Luanda era outra cidade.

início do filme:

a Marginal concluída recentemente com os coqueiros ainda pequenos, os táxis verde-azeitona e as pick-ups americanas



aos 20" o novo porto da cidade e o trabalho pesado dos estivadores

aos 2'57" um caixote da Ford



aos 8'01" stand da Dodge ao Lgo D Fernando



aos 11'37" curva da Praia do Bispo



aos 12'17" curva da fortaleza - Ponte



aos 12'24" curva da ponte para a Ilha

aos 19'10" vendedor de gelados "baleizão"

aos 26'07" vista do Lgo D Fernando
a passagem do comboio ao fundo da Rua salvador Correia, junto ao Hotel Globo e à Calçada Gregório Ferreira antes da existência dos prédios da Robert Hudson



aos 28'00" Lgo D Fernando, a Lello e um estranho autocarro de motor traseiro



aos 28'20" Av Restauradores vista do Lgo D Fernando



O Largo D. Fernando, o eterno centro da cidade de onde foram tomadas grande parte das imagens, está sinalizado neste extracto do mapa do circuito do Grande Prémio:



sábado, 31 de outubro de 2009

um BMW 507 nas corridas




Luanda, finais de Fevereiro de 1960, II circuito da Fortaleza, constituído por duas corridas.
Presente, uma peça hoje cobiçada por todos os coleccionadores de automóveis, um dos BMW mais belos, raros e caros de sempre, modelo 507 roadster.
Com o Nº4, pilotado pelo Dr. Francisco Macedo, ficou em 2º lugar à geral na 2ª corrida, atrás de Amadeu Rodrigues em Austin Healey. No cômputo das duas provas, obteve a mesma classificação à classe.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Desportos Motorizados em Angola


Há um grupo de uns 30 jovens em Angola que se dedica à prática do motociclismo de velocidade. Tiveram o bom senso de aceitar que só correm numa categoria - a de 600 cc . Todos eles ostentam equipamento adequado, fato, botas, luvas, capacetes e, com essa postura, dignificam a modalidade. Mas também pelo comportamento cívico e desportivo nas provas. Os motociclistas desportivos angolanos são os que mais se expõem ao perigo, ao acidente. As pistas, desde o autódromo de Luanda às das cidades, não têm nem 10 por cento da segurança necessária para pilotos ou para público. E, até há casos de cães se atravessarem à frente deles. O simples facto de conduzir uma moto é, por si próprio, um acto arriscado, perigoso. Em competição, o perigo sobe a 200 por cento. Mas eles comparecem, correm, dão o seu espectáculo. Nem sempre são fáceis para as organizações quando estas não lhes proporcionam os mínimos a que se julgam com direito. São muito unidos. Deles, dois nomes sobressairam: Sandro Carvalho, que está a correr numa Suzuki 1.000 cc em Portugal, e Helder Coelho (Vuty), o herói nacional. Merecem respeito.

domingo, 4 de outubro de 2009

Corridas no Sumbe-boxes

Este é o ADR 3 Minister, motor Honda Type R de Jorge Pires.
O parque destinado a paddock da corrida, acabado de ser feito, estava cheio de poeira e terra. Os pilotos recusaram e escolheram o jardim junto à entrada da recta da meta. Aqui, o Radical SR3 de Paulo Sá Silva, o já campeão angolano da categoria TGS (que reúne turismos e sport diversos). Veja-se, atrás do Radical, um fórmula Ford Mygalle.

Do outro lado da rua, o Porsche 996 - 3.600cc turbo de Maló de Almeida, o BRC de Ilidio Cardoso, e o Radical SR8 de Daniel Vidal.


Corridas em Angola - Sumbe

Na foto superior, Cardoso Albernaz, outra das figuras históricas do automobilismo angolano de todos os tempos, dá a largada para uma das corridas dos Turismos do troféu Mundial Seguros.
Nesta foto, a grelha de partida já formada para a corrida dos Turismos, com 3 responsáveis a terminarem a inspecção : o sempre disponível João Coimbra (esqª), o director da prova (centro) e Cardoso Albernaz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Três glórias

Fui encontrar no fim-de-semana passado, no Sumbe (antigo Novo Redondo) três das maiores figuras do desporto motorizado angolano antes e pós independência. Vejam só (da E para a D): Herculano Areias, Santos Peras e Dárdano Alves.
Como eles estão "iguais" passados mais de 30 anos !!!!
Não resisti a juntá-los para a fotografia.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

COINCIDÊNCIAS E … SAUDADES!


Sumbe, já teve corridas empolgantes como em 1973, com estupendas máquinas de competição. Da reportagem da revista Equipa da época, está disponivel um resumo da prova principal neste artigo do SportsCar.

As corridas de Grupo 1 não eram menos interessantes, pois tinham protagonistas talentosos com máquinas de grande qualidade.

Dada a proximidade da prova anual do Sumbe, João Coimbra lembrou e escreveu o que se segue:

-"Aproveitando o feriado Angolano de 17/09, resolvi arrumar o meu “baú das velharias”. Por coincidência também, tinha comprado e lido na noite anterior o ultimo número (3) da nova revista de Auto, Moto e Náutica - “EKUIPA”. Por coincidência descobri no “baú”, três revistas “EQUIPA” do passado, das quais a número 31 de 01 de Outubro de 1973, me chamou a atenção pelo artigo da página 73 (outra coincidência). Por coincidência esse artigo escrito pelo Hélder de Sousa dizia respeito ao Circuito de Novo Redondo (actual Sumbe) de 1973. Por coincidência no próximo fim-de-semana realiza-se uma prova no Sumbe a contar para o Troféu Mundial Seguros (Turismos), TGS, Motorizadas e Motos. Por coincidência o Hélder de Sousa, num ano em que “aumentou a cilindrada do seu motor para 7.0 cc”, regressa ao Sumbe 36 anos depois, para comentar estas corridas a convite da “TV ZIMBO”. Parecendo-me bastante actual o que o nosso amigo Hélder de Sousa escreveu no passado, atrevo-me agora a transcrever (parte) do referido texto para todos vocês:



"AO VOLANTE"

"Novo Redondo ganhou fama de ser um circuito “de muita condução”, onde as “mãos” do piloto prevalecem sobre a potência dos automóveis. Não é mais que meia verdade. E a corroborar esta opiniao recordo o exemplo de “Larama”, reconhecidamente considerado um piloto que tem “boas mãos” e que nada pode fazer para contrariar os “cavalos” do Camaro de “Pequepê”, cujas mãos, também não são para desdenhar.
Donde se poderá concluir, quiçá um tanto ligeiramente, que “contra cavalos, não há mãos que cheguem”.
De facto, todos esperávamos a “montanha russa” de Novo Redondo para ficarmos assentes quanto à superioridade do Camaro. Pessoalmente, ainda me restava a dúvida. O circuito é curto, razoavelmente sinuoso, exigente no que diz respeito a travões e, talvez se desse o “milagre”. Mas, logo que vi “Pequepe” sair da 2ª fila e curvar já a frente, percorridos uns 400 metros, fiquei identificado e esclarecido – o Camaro não tem oposição ao seu nível e “Pequepê”, que não “tira” mais do que precisa do “monstro”, corre com “cabeça” usando uma táctica eficaz. À partida, desembaraça-se dos adversários mais directos, imprime andamento vivo para se colocar fora do seu alcance (a sua volta mais rápida foi a 8ª), e controla os outros a distancia, mantendo-se longe de qualquer ataque directo, ganhando folgado.

Um dos pontos mais interessantes para observar carros e seus pilotos em acção, é o 'S' depois da bomba de gasolina. Aí, além do trabalho das suspensões, é sobretudo o estilo dos pilotos que chama a atenção dos espectadores.
Uns aproximam-se lentamente, reduzem a velocidade, deixam o carro patinar e, à saída, quase estão parados.
Outros pelo contrário, chegam bastante depressa, colocam o carro com energia, aceleram para dar aderência e saem sem perda de tempo. … "

Hélder de Sousa – Revista Equipa n. 31 de 01/10/1973


Seguem-se no texto outros comentários, mas penso que o essencial está transcrito.
Penso por isso, que será com alguma SAUDADE, que passados todos estes anos, o Hélder de Sousa regressará ao Sumbe no próximo dia 26/09 para assistir e comentar o “GP do Kuanza – Sul”.
Aguardemos pelos seus comentários às referidas provas. "

Joao Coimbra


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Luis Sa Silva








Tem apenas 19 anos, é líder do Campeonato Asiático de Fórmula Renault 2000, com 4 vitórias e duas poles.

Em Angola, é um ilustre desconhecido...





quinta-feira, 10 de setembro de 2009

70



Um número, coisa nada mais irrelevante ou insignificante do que isso.

Mesmo assim, um número redondo na escala decimal.

Números são números, quantificam quantidades, coisas...



Que idade tens? Que importa, quando se gosta de brincar e de rir entre amigos com brinquedos vertiginosamente rolantes?

Que idade tens?

10, claro!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uma imagem, uma estória







clicar sobre a imagem para ampliar




A imagem acima, encontra-se originalmente desde Junho de 2006 em AutoSport-Nostalgia neste post de Graham Gauld e anteriores.



Na foto, vemos Jo Schlesser em Shelby-Cobra, a ser filmado ou fotografado supostamente pela sua mulher.
Mais atrás, vemos com o Nº 16 o carro que Peixinho pilotou até à desistência, uma máquina única de base Porsche. Álvaro Lopes com o Nº1, fará talvez a sua última corrida em Ferrari 250 LM .

Outros nomes sonantes, são Rolf Stommelen, Lucien Bianchi, Denny Hulme, todos eles futuros campeões famosos nas suas carreiras. David Piper que será mais conhecido pelas suas prestações futuras nos Porsche 917, vai ser o vencedor desta corrida.



Esta foto, faz parte da biografia que Gauld ainda não publicou sobre Keith Schellenberg, num AC Cobra mais atrás e à direita na imagem.

Graham Gauld é jornalista, historiador e biógrafo no mundo do automobilismo.

A sua obra em HistoricMotorracing e Amazon.

domingo, 30 de agosto de 2009

Autódromo de Luanda -junho 2009



Formação da grelha de partida .
Note-se o numeroso público na bancada

sábado, 29 de agosto de 2009

O Paulo


Paulo Sá Silva, um jovem piloto a "perder" tempo em Angola


Autódromo em festa


Boxes e Torre do autódromo de Luanda - 2009


Pescoço de Cavalo


Corridas no autódromo de Luanda - 29 de Junho 2009 - CURVA DO PESCOÇO DE CAVALO


sábado, 8 de agosto de 2009

do GPA 1960





Ao lado, o artigo de Jack Fairman para o AutoSport (UK).

O relato deste piloto transmite um grande agrado por tudo o que envolveu o Grande Prémio de Angola: o prazer da participação, o local, o circuito, o ambiente, as pessoas. Mas destaco o final da crónica, onde refere a satisfação de observar crianças brincando sem preconceitos raciais.








segunda-feira, 20 de julho de 2009

História do Circuito da Fortaleza



Acima, a versão mais longa (creio) do Circuito da Fortaleza e a que foi mais utilizada. Outras houve, mais curtas. Também se realizaram várias provas neste circuito inseridas em Ralis. Algumas dessas provas, fizeram-se em sentido inverso ao da imagem. Em 1968 também houve corridas de velocidade em sentido contrário. Este circuito, está umbilicalmente ligado à história da cidade de Luanda, pois nasceu quase ao mesmo tempo que a metade dos arruamentos que percorria. Tem o nome obviamente ligado à fortificação de defesa do ocidente da cidade, a Fortaleza de São Miguel, situada num monte circundado a ¾ por mar. Até finais do sec XIX, nada havia em torno desse monte, para além de alguns caminhos e de uma ponte em madeira que ligava à ilha.


Até que foi iniciado o Caminho de Ferro de Ambaca, que ligava Luanda a essa povoação, anos antes de chegar a Malange. Esta linha, tinha vários ramais em Luanda e um deles circundava toda a cidade. Estes ramais destinavam-se ao serviço de passageiros e de mercadorias, com estações como a da Cidade Alta. Esta linha, servia também o porto de Luanda, na altura situado em vários pontos servidos por pequenos cais, como nas Portas de Mar ou no Largo Infante D. Henrique / Largo do Baleizão.


Perto desses cais, situavam-se inúmeros armazéns, indústrias e serviços ligados à navegação. O principal eixo da cidade, era a Av Restauradores - Rua Salvador Correia (actual Rua Rainha Ginga) e ligava o Largo Infante D. Henrique / Largo do Baleizão, continuando para Leste passando o Largo D Fernando, da Livraria Lello. Estes arruamentos, também vieram a fazer parte do Circuito. Para o caminho de ferro circundar o sopé do monte da fortaleza, foi feito um primeiro aterro.


Esta estrutura, serviu até ao final da 2ª Guerra Mundial, após o que o automóvel passou a ser o transporte particular por excelência e os camiões o principal transporte de distribuição urbana e suburbana de mercadorias. O porto de Luanda mudou-se provisoriamente para a frente do espaço onde iria ser edificado o Banco de Angola, enquanto foi sendo construido o porto que hoje existe, na ponta Leste da baía. O caminho de ferro a oeste da cidade foi retirado e o aterro em torno da fortaleza, foi então aumentado para a construção das estradas marginais da Praia do Bispo e da Baía. A ponte de estrutura em madeira para a Ilha, foi substituída por outro aterro. Por alturas do 1º Grande Prémio de Angola, em 1957, Luanda vista da fortaleza para o largo do Baleizão, perspectiva acima repetida 4 vezes, era assim:


Após a 2ª Grande Guerra, Angola desenvolveu-se como nunca. Luanda foi alvo de um plano de reestruturação geral. As novas vias e os novos sistemas de colectores de esgotos e de águas pluviais, foram concebidos para vencer sem problemas as enchentes típicas das tempestades tropicais. Numa boa chuvada, em menos de 5 minutos as ruas ficavam transformadas em rios com altura acima dos tornozelos. Para que a água não subisse aos passeios, estes tinham mais de 30 centímetros de altura. Passada uma chuva torrencial, o sistema de escoamento de águas, secava as ruas mais depressa do que tinham sido cheias. O desenvolvimento da cidade, tornou impossível o sacrifício das suas vias pelas corridas, mesmo poucos anos depois de ser feita a Marginal. E o Circuito da Fortaleza, correu-se pela última vez, desastrosamente e sem treinos, em Dezembro de 1969. Na imagem abaixo, os mais de 30cm de passeio, fazem de rail contra o avanço do Carrera 6 de Andrade Villar, evitando uma tragédia ainda maior:



quarta-feira, 15 de julho de 2009

ainda da Resistência


São Gonçalves, é uma amiga residente em Cela e Luanda, que conheci noutras tertúlias online.


Eis o que me contou sobre este período da "resistência":


"Os karts no Kinaxixi, foi na década de 80. E como nessa altura pouco se podia ir além de Luanda com segurança, fazíamos muitas Gincanas, Karting e Motocross nas Barrocas do Miramar. Fazíamos Rally na Zona de Quenguela Norte, onde havia as Picotas dos Poços de petróleo da FINA, e o Luis Gonçalves, meu xará (muita gente pensa que somos irmãos por causa do nome) que aparece no Megane, andou comigo nessas andanças e é pai da miuda que correu agora (2009) no Huambo. Era giro porque corriamos com os carros do dia-a-dia. Alguns, como eu, tinhamos que os poupar, pois na segunda-feira iamos para o trabalho com o mesmo carro. Estive nessas corridas do Lubango. Luís deu duas voltas de avanço ao Porsche de Maló Almeida (...)


Bons tempos esses, havia camaradagem com fartura. Não havia em Angola, nessa altura, peças para os carros, então quem tinha possibilidade mandava vir. Outras emprestávamos uns aos outros. E ainda outras eram fabricadas por bons torneiros que ainda estavam cá... Enfim... Fiz os Rallys da Fina, Sonangol e o maior nessa altura, o Rally IMAVEST. Corri com 1600SSS, Peugeot 404 com motor 504 e o último que fiz, foi o da Fina com um Fiat RAlly 128, cedido pela Guedal. Tive o 1º Premio Feminino, o da Classe e fiquei classificada na Geral em 5º lugar.


...


O desporto automóvel, sempre moveu multidões e passada a fase do partido único onde o automobilismo era considerado um desporto "capitalista", ou dos capitalistas, viram-se forçados a aceitar a modalidade que também era popular. Íamos para o autódromo de Luanda todos os fins de semana fazer corridas por conta própria, pois nas madrugadas costumávamos ir para a marginal e dar a volta no Hotel Presidente. Mas a polícia começou a andar atrás de nós... Então mudámos para o futungo de Belas, antes da ocupação das casas pela presidência e tivemos a mesma sorte. Foi então que começámos a ir para o autódromo, mas houve um problema, pois o pessoal que se abstinha de andar lá dentro, vinha com a adrelanina à flor da pele e aconteciam sempre acidentes por excessos e morria sempre alguém no regresso. E mesmo lá, havia quedas, espalhanços, e até atropelaram uma vaca, isso mesmo ou melhor ... a vaca atropelou o Alfa Romeo do Brito Rodrigues. Naquela altura havia falta de carne ... e de tudo, em Luanda! Então dividiu-se a vaca pelo pessoal.



Histórias..."


da Resistência


Falta pouco mais de um mês, para a data de 23 Agosto, quando ocorre o GP Festas da Nossa Senhora do Monte, no Lubango, Huíla.


Eu creio que esta imagem de 2005 é de lá:






Na imagem com o Megane de Grupo A de Luís Gonçalves da SoEscapes vivia-se um certo renascer do automobilismo angolano, ainda no início da fase do pós "guerra civil".

Mas neste post mais atrás do Rali Imavest, aparece também Luís Gonçalves em BMW 320 classificado no 9º lugar.

Recorde-se que durante a chamada "guerra civil", a paixão pelo automobilismo levou alguns "resistentes" a manter a modalidade. Isto, é algo totalmente impensável em qualquer parte do mundo! Daí eu classificar esta fase como "resistência". Porque depois da independência, o automobilismo foi e ainda é praticamente uma actividade marginal, sem interesse do Estado (note-se que digo Estado, não Municípios como o do Lubango) sem estruturas federativas e sem uma única pista em condições aceitáveis a qualquer nível.

O Lubango, por quase não ter sofrido com esse guerra, foi um dos poucos lugares onde foi relativamente seguro correr. Tornou-se com isso, na capital actual do automobilismo em Angola.

Curiosamente, os registos mais antigos do automobilismo angolano, são precisamente os dos ralis na Huíla, no início da década de 1950.



O Megane da imagem, era excelentemente preparado aqui bem perto de Oeiras, na Carreto18 do Sr João Pais Amaral. Este meu amigo também viveu em Luanda e andou nalgumas corridas. Quando ainda era um jovem inconsciente, quis experimentar o autódromo de Luanda, ainda em obras e sem asfalto. Ele tinha um Lotus Cortina que meteu meio às escondidas no autódromo, mas que saiu de lá com grande espalhafato, tirado da escapatória de uma curva directamente para a sucata...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

750 anos





Só!



750:





Acordei há pouco. Quando vi isto, julguei que tinha despertado dum longo processo de hibernação "criogénica"... De para aí 700 anos!!!


Belisquei-me, olhei em redor e fui à janela. Os discos voadores ainda não deviam ter acordado, pois não estava nenhum nos céus já bastante claros e limpos.


Dorminhocos estes extra-terrestres... Ou afinal, sempre é verdade: eles não existem de todo, e a Nª Sra de Fátima afinal não era verdadeira... Não passava de uma senhora que de tão bela, encandeou os inexperientes olhos dos pastorinhos... Para eles, aquela aparição não podia ser deste mundo...


De manhã dá-me para o transcendente...



Tentei perceber o que estava mal: se os meus olhos, se um lapso do cartaz... O cartaz queria dizer 75 e colocaram mais um zero? Afinal os carros só nasceram ontem, há pouco mais de 100 anos... Teria eu nascido já há 800 anos? Estaria eu em 2709 e o cartaz estava mal, com 2009? Não pode ser... O computador ainda funciona e diz-me que não mudei de ano... Terá ele hibernado comigo? Sim porque o computador é uma extensão de mim próprio... No ano 2709, os computadores devem ser placas de gás a orbitar invisíveis à nossa volta, comandados com um simples pensamento e um olhar determinado...

Que trapalhada...




Mas a explicação para esta coisa com um nome no mínimo fantástico é simples e está no fórum do MotorClássico: trata-se de um evento integrado nas comemorações dos 750 anos da Outorga do Foral de D. Afonso III a Viana do Castelo.



Uffffffffffffff, que alívio!

sábado, 13 de junho de 2009

Traction 75 anos



O post anterior, tem obviamente a ver com o 75º aniversário da "arrastadeira".

Mais algumas imagens captadas no museu do CPAA:




Desenho-estudo anterior à definição final do "traction". Note-se o pára-brisas "panorâmico".




Esquema fotográfico demonstrativo do princípio-base do "Traction Avant".




Coupé 11 BL, 1937. Acredita-se que não exista actualmente um só modelo destes em Portugal.




Curiosa aplicação de cerca de 1939, na mala-assento traseiro dum Coupé, de sistema de gazogénio, combustível por gás pobre resultante de queima de lenha ou carvão no própro veículo, combinado com vapor d'água.


Arrastadeiras no CPAA




1936 11 cabriolet



1955 Van



1954 11B Comercial



1936 7C


CPAA

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