sexta-feira, 10 de abril de 2009

a menina pequenina



Creio que foi há 4 anos, na tertúlia sobre a Temporada Angolana de Automobilismo de 1974. Estava uma senhora idosa, que ficou entusiasmadíssima por falar de Angola, recordar Angola, recordar quase toda a sua vida e o local onde fora imensamente feliz. Parecia uma menina pequenina a contar-me aquilo tudo, com imensa saudade.
Mais tarde, já não se recordava de mim. A doença tomou-a, implacável.
Agora, partiu. Estará certamente a voar sobre o seu Huambo a abençoar meninos "pretinhos".





Um abraço enorme, aos que ficam e que sofrem. Um abraço, Armando.

6 comentários:

Tasqueiro disse...

Nesta hora, mandar um abraço sentido a toda a família, porque as palavras... não saem.

orelhinhas disse...

Para o meu grande amigo Lacerda, nesta hora de dor e sofrimento, envio daqui um grande abraço de solidariedade e amizade.

Caro Armando: a sua grande companheira de longos anos partiu. Mas fica para toda a sua bela família que os 2 tão bem criaram, um legado inigualável de educação, respeito pelo próximo e humildade. Estes bons costumes ficarão para sempre com todos vós e serão passados de geração em geração pelos filhos, netos, bisnetos. E que tão bem ela passou esses sentimentos.

Um abraço do tamanho do mundo.

ac disse...

Amigo Armando, A luz da vida fica para sempre. Um grande abraço para si e para toda a sua família.



E quando lhe apetecer, cá o esperamos com os seus excelentes textos e comentários, aqui e no AS. A.C./mits650

Ricardo Grilo disse...

Fico sempre sem saber o que dizer nestas circunstâncias. Se calhar nem há muito que se possa dizer. É demasiado duro para que as palavras funcionem.

Um grande e sentido abraço de condolências, do Ricardo

Armando de Lacerda disse...

Fernando, do mais fundo do meu coração lhe agradeço esta homenagem tão bonita e que tanto me comoveu.

Das poucas vezes e no pouco tempo que com Ela privou, o Fernando soube compreende-la tão bem.

Adorava conversar e quando apanhava alguém falava, falava tanto que eu, a brincar, costumava dizer-lhe que era “uma conversadora compulsiva”.

Obrigado Fernando, obrigado Tasqueiro, Orelinhas, Ac e Ricardo pelo vosso apoio neste momento que é o mais difícil nestes quase oitenta anos de vida.

Cada dia que passa, sinto mais a falta da minha querida Companheira de cinquenta e sete anos e que, com a sua frágil figurinha, me deu sempre tanta força para enfrentar todas as dificuldades.

Se alguma coisa pude realizar, ao longo da vida, a Ela o devo que, apesar de desejar estar sempre ao meu lado, aceitou conformada as minhas ausências e entusiasmava-me nas coisas em que me metia.

Quando uma noite, alta madrugada, fomos acordados pelas batidas na porta das forças “desunificadas” angolanas para fazerem uma busca a fim de verificarem se tínhamos armas em casa, impediu-me de ir abrir a porta e foi ela que os enfrentou.

Quando a situação em Angola se degradou e eu quis mandá-la para Portugal antes de mim, recusou terminantemente faze-lo se eu não viesse também.

Nunca, nunca me abandonou. Como lhe deve ter custado ver-se agora obrigada a faze-lo.

Estou para aqui a alinhavar palavras sem sentido porque me sinto impotente para transmitir tudo o que me vai na alma.

Peço-vos desculpa de não vos saber transmitir mais nada que não seja uma grande gratidão pelo vosso apoio de quem vou precisar mais que nunca.

asperezas disse...

Fez todo sentido Armando!

Nós é que agradecemos a sua amizade.

Um forte abraço,
Fernando

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